Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Na terceira pessoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Na terceira pessoa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Este Outono...

... Como tantos outros, trouxe agitação e mudança. Com os cair das folhas das árvores, caem também as esperanças trazidas pelo Verão, e as respostas que surgem continuam a ser incompletas para a complexidade das perguntas. 
É no Outono que a natureza pinta com cores fortes toda a velharia que precisa ser reciclada, destacando-a, como que numa tentativa de o avisar de onde é necessário afastar-se para evitar aguaceiros evitáveis. Mas, como sempre, nada pode ser tão linear, nada pode ser evitado por completo e, quando menos espera, lá está ele novamente a contemplar a paisagem com os olhos do coração, ignorando as cores de emergência e deixando que essas árvores de folha caduca o arrebatam com toda a sua antiguidade. 
Para ele é impossível evitar o que sente. Gosta do Outono e a cor laranja-avermelhado que se espalha no horizonte deixa-o sorridente e com a ilusão de que tudo é possível;  de que as temperaturas frescas terão o efeito inverso e lhe aconchegarão o coração, mantendo-o quente. Por isso ele arrisca e fala de sentires, esperando não a reciprocidade dos mesmos, mas a sinceridade da resposta. E desilude-se. Questiona o que não vale a pena ser questionado, tenta compreender o incompreensível, insiste mais só mais uma vez - porque nunca se sabe se não valerá a pena - e pára. 
Agora ele promete não voltar a fazer o mesmo, consciente de que nunca cumprirá essa promessa porque dentro dele vive a inocência e a vontade de acreditar, a certeza de que tudo tem a sua razão de ser e que um dia, quando chegar altura certa, o Outono voltará a ser sorridente como ele sempre o imaginou e no coração a estação será quente, solarenga e alegre.

domingo, 28 de outubro de 2012

Num dia de Outono

Ele cresceu e está diferente. A cada ano que passa um novo "eu" se apresenta ao espelho, mas a essência permanece. 
Continua a ter o Outono como a sua estação do ano preferida. Gosta particularmente da brisa fresca em tardes solarengas e das cores vivas com que se vestem as árvores. No entanto, a idade trouxe-lhe a vergonha insensata, a reserva, as coisas que hoje guarda só para si. 
É que ele, o menino feito homem, continua a acreditar em contos de fadas com finais felizes, porque de outra maneira não os consegue conceber. E «se faz sentido cá dentro não, pode estar errado».

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

E de repente...

... É como se batesse a saudade de algo que nunca tiveste. Um amor maior que anseias sentir, uma experiência eivada de loucura que te faça perder a respiração, mas que por teimosia a repetes, uma e outra vez. Mas aí ligas a música e deixaste embalar pelas batidas frenéticas desse piano, que te embalam e te deixam em recobro, até adormeceres essa falta de alguma coisa, que te faz tremer a alma.  
Infelizmente nada hiberna para sempre e tu sabes disso.